Taquaritinga, Capital do Estado

JOSÉ CLAUDINÊ BASSOLI

 

Em 1968, iniciou-se um movimento no sentido de mudar a Capital do Estado para o interior, precisamente nas proximidades da cidade de Boa Esperança, onde  se localiza  um marco determinando o centro geográfico do Estado.

Era uma ousadia, a exemplo de Brasília.

Diziam os mais afoitos pela ideia que a centralização da sede do Governo e das  Secretarias numa cidade tão grande como São Paulo tornava inviável uma administração progressista e que isso estava trazendo enormes prejuízos aos cofres públicos, além de atravancar o desenvolvimento.

A notícia do projeto da descentralização alvoroçou as cidades da redondeza do centro do Estado de São Paulo.

Essas cidades procuraram usar de seus meios para ser a candidata preferida. Cada qual exibindo suas qualidades, usando seus atributos e seus fiéis intermediários, alguns não muito fiéis porque muitos deputados votados em Taquaritinga, agora iriam puxar a “sardinha” para a cidade deles, portanto era difícil de confiar em alguém.

Era uma competição política desigual. Taquaritinga contava com poucos figurões, se considerarmos que na disputa estavam: Araraquara, Jaú, Bauru, São Carlos, que eram pesos pesados na política, sem contar com a própria Boa Esperança, que tinha a vantagem de ser o município onde se localiza o cento do Estado, rodeada de pequenos  municípios.

Mas Taquaritinga não se intimidou com os inimigos e foi à luta.

Houve uma reunião, convocada pelos: prefeito  Dr. Waldemar D’Ambrósio e o vice Dr. Horácio Ramalho, para tratar da estratégia a ser usada.

Nessa ocasião já se delineava a sucessão municipal na qual  o Dr. Adail Nunes da Silva  era candidato da oposição e que viria a ser eleito Prefeito, também se empenhou profundamente na contenda. Por um curto espaço de tempo houve uma grande trégua política em Taquaritinga, todos queriam que nossa cidade fosse a Capital do Estado.

Governava o Estado de São Paulo o Dr. Roberto Costa de Abreu Sodré e seu vice era o Dr. Hilário Torloni, famoso por fumar em uma longa piteira de ouro, particular amigo do Dr. Waldemar. Laudo Natel, que havia sido Governador no período anterior, era amigo do senhor Pedro Vassovinio, dono da Tallavasso. Era Secretário do Turismo o nosso saudoso e particular amigo Dr. Orlando Gabriel Zancaner.

Já era um começo.

Foi marcada uma audiência no Gabinete do vice-governador Dr. Hilário Torloni, e lá estavam Laudo Natel, Dr. Zancaner e muitos taquaritinguenses.

Para essa disputa nós tínhamos uma grande arma e que fora exibida com detalhes na reunião. Taquaritinga tinha já construídas 500 casas, todas vazias e em condições de serem habitadas, portanto prontas para ficarem à disposição do Governo, e um projeto aguardando aprovação para mais 500 casas e o compromisso de Dona Julinha, proprietária da Fazenda Paraguaçu, em ceder a área que fosse necessária, junto às 500 casas, para a construção de tantos prédios quantos fossem precisos.

Laudo Natel foi um grande incentivador de Pedro Talavasso para que ele construísse as 500 casas do  Conjunto Residencial Ipiranga.

A sorte estava lançada.

Sentimos que os fortes candidatos se preocuparam com a nossa proposta.

Taquaritinga, assim como outras cidades, chegou a receber uma equipe para estudos preliminares.

Como sabemos, o projeto não prosperou e até hoje, depois de mais de 40 anos, sem tomar qualquer providência a respeito, São Paulo continua com seus sérios problemas de espaço e cada vez mais difícil de serem resolvidos.

Talvez algum dia mude tudo.

 

José Claudinê Bassoli é advogado militante em Taquaritinga