E agora, Jair?

Não foram muitas as promessas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, na jornada que o levou a sua maior conquista eleitoral.
Foi uma campanha em que os debates ficaram prejudicados e a discussão de propostas,rebaixadas ao segundoplano.
Mas uma das questões queteve grande importância foi a segurança pública. Esse destaque talvez seja em decorrência do que o deputado federal repetiu ao longo de anos, a respeito
do endurecimento da postura contra a criminalidade. Jair Bolsonaro venceu com sobras os dois turnos das eleições porque falou o que os brasileiros queriam ouvir. Combater a corrupção endêmica e a violência desenfreada é o resumo da imagem que sua campanha passou ao eleitorado. Para essa missão complicada, Bolsonaro arregimentou um soldado de primeira hora, o não menos amado e odiado Sergio Moro. Como juiz, conduziu a operação Lava-Jato, que resultou na prisão de figurões da política, como o ex-presidente Lula, o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Moro pediu exoneração da magistratura para assumir o chamado superministério da Justiça, que concentrará poderes para, dentro dos limites republicanos, fazer pesar a lei contra malfeitores.
Em termos de propaganda nesses primeiros movimentos,pontos para Bolsonaro, que agora terá de comandar a montagem de uma estrutura destinada a varrer a corrupção, não para debaixo do tapete, mas para fora do mapa do Brasil. O agora ex-juiz, em entrevista na terça-feira (6), disse que também enfrentará o crime organizado, que tem colocado de
joelho médias e grandes cidades, usando seu poderio de fogo. Tudo isso é importante e um desejo ardente da população. Mas essa mesma gente que quer viver em paz também clamará
por emprego e comida na mesa. Se não conseguir girar a roda da economia, tudo o mais que o futuro governo fizer pouco adiantará.
A bola, então, estará com Paulo Guedes, outro denominado superministro. As ações do primeiro marinheiro a embarcar no navio do capitão, à frente da Fazenda, determinará o
sucesso ou o fracasso do governo que se iniciará no primeiro dia de 2019. Já que o divino teve papel relevante na campanha, não custa lembrar uma advertência de Jesus, segundo o evangelista Lucas: “A quem muito foi dado, muito será pedido”.